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sábado, 25 de dezembro de 2021

Pará soma mais de R$ 94 bilhões em faturamento no setor mineral e canaã dos carajás sobe para 2º lugar em arrecadação nacional

Pará soma mais de R$ 94 bilhões em faturamento no setor mineral e Canaã dos Carajás sobe para 2º lugar em arrecadação nacional 
Foto: reprodução
Pará soma mais de R$ 94 bilhões em faturamento no setor mineral e Canaã dos Carajás sobe para 2º lugar em arrecadação nacional.

Com mais de R$ 250 bilhões faturados durante 2021, a atividade mineradora atingiu um crescimento superior a 19% em relação à arrecadação do setor em 2020. Os dados, do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), ainda apontam que a maior alta ocorreu no Pará, que somou R$ 94,6 bilhões nos meses analisados.

No sudeste paraense, a cidade de Canaã dos Carajás é um dos pólos mineradores responsáveis por gerar a atividade extrativista. De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o município saiu da 14ª posição e está em segundo lugar no ranking de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

O primeiro lugar também fica com o Pará. Parauapebas é a cidade que mais gera royalties da mineração no Brasil, ou seja, pagamentos sobre o uso do produto.

Até novembro deste ano, as operações de ferro e cobre em Canaã dos Carajás acarretaram em R$ 1,7 bilhão de CFEM, como apontam os dados da agência. Deste total, 60% fica em Canaã.

A compensação é considerada uma indenização paga por mineradoras pela extração de minério e deve ter parte aplicada, principalmente, na diversificação da economia das regiões pela gestão estatal.

Histórico

Desde 2004, ano em que houve a inauguração em Canaã dos Carajás do ‘Sossego’, maior projeto de mineração de cobre do país, a região experimenta transformações sociais, econômicas e territoriais.

O município passou a ser o maior produtor de cobre do Brasil e, segundo o IBRAM, tornou o país um exportador em potencial do minério, amplamente utilizado na geração e na transmissão de energia em fiações e em grande parte dos equipamentos eletrônicos.

Para Giliad Silva, doutor em Economia e professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a iniciativa de minerar a região surgiu com a descoberta das reservas de materiais como manganês e cobre, há cerca de seis décadas.

“No processo de prospecção, descobriu-se que esse depósito mineral basicamente tinha uma quantidade lavrável de riqueza depositada de modo muito substancial em um mesmo local, que estava na parte onze da Serra Sul. É isso que virou a mina S11D”, explicou Giliad.

Com cinco anos completos neste mês, a operação S11D foi lançada em 2016 e representa o maior projeto da história da mineração mundial, com potencial de extração de 10 bilhões de toneladas de minério de ferro.

De acordo com a Vale, responsável pela S11D, as primeiras sondagens para a realização da atividade na região datam dos anos de 1970.

“A empresa escolheu esperar quase quarenta anos para iniciar a lavra na Serra Sul, porque naquela época não tinha uma tecnologia que fosse economicamente viável, que produzisse uma atividade econômica rentável”, pontuou o professor.

Para além da mineração

Embora tenha sido responsável por 11% das exportações nacionais de minérios, o Pará responde por apenas 2,4% do PIB nacional, como levantou o último relatório da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

Baseado nesses dados, é comum que existam questionamentos sobre as vantagens das atividades minerárias do Pará, tanto para empresas quanto para as comunidades locais onde os empreendimentos estão situados.

Segundo o pesquisador Giliad Silva, a presença da mineração nas cidades traz consigo impactos econômicos, impulsionados por características do setor: comercialização intensa, grande número de exportações e concentração de renda.

“Há um processo sistemático de transformação de terra em mercadoria e quando isso ocorre, você acaba transformando quem não está necessariamente na dinâmica produtiva mercantil. É o caso de camponeses, populações tradicionais e povos originários”, explicou.

Maria Araújo do Nascimento, 29 anos, técnica em química no setor, viu de perto as transformações que a chegada da mineração teve em Canaã dos Carajás. Filha de pequenos agricultores, Maria contou que não tinha condições de estudar ou procurar emprego em outra cidade maio.

“Em 2015 eu era uma jovem sem experiência alguma no mercado de trabalho. Consegui ingressar dentro da mineração como trainee. Depois, fui efetivada para o cargo de laborista. Atualmente, sou técnica em química”, detalhou.

Ainda segundo ela, que se estabeleceu no município, a atividade contribuiu para a criação de empregos diretos e indiretos, além da arrecadação tributária ter papel na infraestrutura da cidade.

Canaã: cidade mais rica do Pará

De acordo com o levantamento mais recente feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Canaã dos Carajás aparece em primeiro lugar no quantitativo do PIB per capita do estado, com R$ 288.812,06 na média anual.

Prospecção socioambiental

Sob outra perspectiva, o doutor em Economia apontou que o crescimento econômico pelas atividades com recursos exauríveis enfrentam impasses nas condições de enraizar-se.

“É um crescimento que depende de uma única atividade econômica. Logo, se essa fonte acabar, os investimentos também vão deixar de existir. Em Itabira e Serra do Navio, cidades mineradoras de Minas Gerais e Amapá, houve um processo de abandono gradual dos grandes empreendimentos nestes locais quando as extrações de minério foram encerradas”, completou.

O grande desafio do setor é manter o equilíbrio necessário entre rentabilidade e sustentabilidade do negócio em amplo sentido.

No caso do setor mineral, as polêmicas envolvendo as questões ambientais ressaltaram o quanto ainda é necessário um planejamento e trabalho maior dos empreendimentos nos cuidados à natureza e às comunidades diretamente conectadas às cidades mineradoras.

Para Giliad, o controle social eminente à atividade vai além das empresas, que devem medir variáveis de qualidade de vida e capacidade de disseminação das rendas produzidas para mais pessoas.

“No caso da atividade mineradora, o ideal seria que houvesse maior reflexão e cobrança sobre a extração de minério e as problemáticas ambientais e sociais postas hoje. A transparência dos municípios mineradores precisam ter melhores instrumentos para funcionar e para que consigamos ter melhores condições de atuação e de transformar a ação desse setor em desenvolvimento econômico ”, concluiu.




Fonte: G1 Pará

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