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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

UM CENÁRIO MEIO APOCALÍPTICO' DESCREVE PARAENSE QUE VIVE NA PROVÍNCIA CHINESA DE WUHAN.

Reisi Liao afirma que vive praticamente em prisão domiciliar para evitar contaminação.

"É como se fosse uma prisão domiciliar", define Reisi Liao, 46 anos, que mudou de Novo Progresso no sudeste paraense para a cidade chinesa de Wuhan no dia 8 de novembro de 2019. Seu marido é natural da Província de Hubei e após muitas anos de idas e vindas, o casal decidiu ficar definitivamente na China por causa da "incerteza" que ronda o Brasil, da "instabilidade do governo e da economia, que não vai tão bem", segundo a paraense.
Agora o casal se encontra praticamente confinado para evitar a epidemia de coronavírus, que assola o país e se espalha pelo mundo, através dos chineses que viajam para outros países.
O vírus já matou mais de cem pessoas apenas na Província de Hubei e provocou o fechamento da cidade de Wuhan, considerada o epicentro da contaminação e é justamente onde o casal reside.
Wuhan vive em uma espécie de quarentena. Não se pode entrar ou sair da cidade, o transporte público parou de circular, as aulas nas escolas e na universidade foram suspensas. Apenas algumas farmácias e supermercados continuam abertos e com controle de circulação de pessoas.

Reisi conta que praticamente não saiu de casa, desde que a epidemia começou a cerca de uma semana. Seu marido quem sai para comprar mantimentos, apenas pelo tempo mínimo necessário e protegido por uma máscara.
Eles têm um filho de dois anos, mas que não desce nem para as áreas comuns do condomínio, para evitar uma exposição desnecessária ao risco de contaminação.
Enquanto ela conversa com a reportagem, os sogros jogam dominó na sala do apartamento. Eles vieram de uma cidade próxima para as festividades do Ano Novo Lunar e por causa do bloqueio, não podem mais voltar.
Reisi  gostaria de voltar imediamente para o Brasil
Para passar o tempo, Reisi lê, assiste à televisão. "Cuidar do bebê também mantém a gente bem ocupado", brinca. Como não fala mandarim, utiliza como principal fonte de informação os portais em língua portuguesa.
"Se você me perguntar, eu queria voltar era ontem", afirma a paraense. Reisi teme que o confinamento se estenda por muito mais tempo, pois a última grande epidemia na China durou nove longos meses, segundo ela.
Na última vez em que Reisi saiu de casa, há alguns atrás, se deparoue com uma cidade vazia.
Ela foi jantar na casa da cunhada, que também vive no distrito de Hanyang — segundo a brasileira, o trânsito entre bairros também está limitado. Encontrou ruas e estradas vazias, as poucas pessoas que circulavam pelas calçadas usavam máscara. "Um cenário meio apocalíptico."
O surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (conhecida pela sigla em inglês Sars), também causada por um coronavírus, começou em 2002 e matou 774 pessoas, entre 8.098 infectadas.
A quarentena decretada desta vez pelas autoridades chinesas, entretanto, não tem precedentes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Ela atinge hoje cerca de 18 milhões de pessoas,  os 11 milhões de habitantes de Wuhan e os 7,5 milhões que vivem em Huanggang, distante 70 km.

Brasileiros apelam para ser retirados da China
Reisi e os outros brasileiros que vivem em Wuhan mantêm contato por meio de um grupo de WeChat, serviço de mensagens instantâneas semelhante ao WhatsApp.
São cerca de 50 pessoas, segundo ela, muitos estudantes que hoje estão praticamente isolados dentro do campus da Universidade de Wuhan, que suspendeu as aulas.
Parte do grupo quer voltar ao Brasil  e já fez o pedido à diplomacia brasileira. O embaixador brasileiro em Pequim, Paulo Estivallet de Mesquita, afirma que a China não autorizou voos para evacuação de cidadãos estrangeiros.
O diplomata também disse, que as autoridades brasileiras agirão "assim que possível", quando a quarentena for suspensa pelo governo chinês.


Fonte: BBC Brasil

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